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segunda-feira, 23 de março de 2015

DIA METEOROLÓGICO MUNDIAL - UM COMENTÁRIO DIFERENTE

Hoje não é o dia do meteorologista, mas sim da meteorologia. Essa data, comemorada desde 1961, marca o início da Organização Meteorológica Mundial (OMM), em 1950, como parte da ONU especializada em meteorologia. Cada ano é proposto um tema, sendo que o deste ano de 2015 é: "Clima: Compreender para agir". 

O que motiva a escolha deste tema, são os extremos climáticos que vem afetando os países nos últimos anos. Segundo o secretário geral das nações unidas, Ban Ki-moon, nas últimas três décadas, inundações, tempestades, secas e incêndios florestais têm gerado uma enorme perda de vidas e causou perdas econômicas massivas. A devastação causada pelo ciclone Pam em Vanuatu e outras partes da Oceania é apenas o mais recente exemplo de como catastróficos os extremos climáticos podem ser ". Você pode conferir na integra os detalhes do tema deste ano, no link da Epagri-Ciram, clicando aqui.

Entretanto, nesta postagem, vou aproveitar para falar sobre a meteorologia e a profissão em si, que apesar de ter ganhado bastante crédito por parte da população nos últimos anos, vem enfrentando problemas por parte dos pseudo-meteorologistas, ou seja, aqueles que exercem a profissão sem ter formação e diploma. 

De acordo com o decreto de lei n° 3.688 de 03 de Outubro de 1941, Art. 47:


"Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício:

Pena - prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa"


Só aqui no Brasil, eu posso citar vários meios de comunicação em que aparecem essas pessoas, que se acham no direito de dar a previsão do tempo, sem ter qualquer formação na área. Eles se espalham desde blogs sem fins lucrativos na internet, até sites de empresas jornalísticas e meios de comunicação de massa, tanto internet, como rádios e televisão. Não é difícil achar um tal de "raposão" dando previsão numa certa rádio de grande público no sul do Brasil, por exemplo. 

A profissão de Meteorologista no Brasil foi regulamentada pela Lei Federal No 6835, de 14 de outubro de 1980, ou seja, é uma profissão como qualquer outra, seja médico, advogado, engenheiro, arquiteto, agrônomo, etc. Ou seja, se uma pessoa foi pega exercendo a profissão de médico sem ter diploma, vai ser presa ou pagar multa. A meteorologia não é brincadeira, como muita gente acha. Quando o meteorologista prevê chuva ou estiagem, ele está tratando de famílias que podem sofrer com o aumento de rios, de certas atividades que necessitam tempo seco para serem executadas (o que gera prejuízo se não for bem previsto) , de atividades rurais que dependem das condições do tempo (queda de granizo causa muito prejuízo), etc. O que seria dos EUA sem os alertas e previsões com antecedência, das chegadas dos furacões? Milhares de famílias morreriam por falta de um plano de evacuação, que tem início a partir de uma previsão de consenso entre os meteorologistas. Quantas embarcações resistiriam a força do vento aqui no litoral do Brasil, se não houvesse a previsão de um ciclone extratropical, comum por aqui? Isso é muita responsabilidade!

A meteorologia não pode ser jamais tão banalizada, ao ponto de pessoas sem qualquer diploma, exercer um cargo de tamanha responsabilidade e conhecimento. Previsão do tempo é coisa séria, muito mais do que saber se dá de tirar a roupa do varal. Por mais que a pessoa se interesse por meteorologia, não dá direito de sair por aí dando previsão, sem qualquer responsabilidade e pondo em risco a confiança na própria meteorologia em geral. Ou os órgãos competentes tomam alguma providência, ou então haverá uma revolta legítima dos profissionais a graduandos da área.