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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A SUPER ONDA DE FRIO DO INVERNO DE 1955.

Quarta - feira, 27 de julho de 1955. Naquela data - há 50 anos - tinha início a que talvez seja , a mais espetacular onda de frio já registrada oficialmente no Brasil. Inclusive, pode-se afirmar isto, comparando os dados colhidos durante aquela onda polar com outros episódios de frio intenso ocorridos no país no período 1912 - 2004, para o qual há dados meteorológicos suficientes.

E é a apresentação detalhada dos eventos daquele ano a que se destina este artigo.

Análise geral do evento:

A onda polar que atingiu o Brasil no final do mês de julho de 1955 foi marcante em pelo menos 5 aspectos, os quais fazem daquela uma onda de frio histórica.

O primeiro deles diz respeito à área de nosso território afetada pela massa polar. A análise dos dados meteorológicos disponíveis sobre o evento mostra que a onda de frio literalmente derrubou as temperaturas em mais de 60% do território nacional, ou seja, MAIS DE 5 MILHÕES DE QUILÔMETROS QUADRADOS FORAM AFETADOS POR ELA. E mais: embora não tenha sido possível obter as cartas sinóticas da ocasião, os dados indicam que a frente fria ULTRAPASSOU A LINHA DO EQUADOR.

Logo se percebe que poucas vezes houve outras ondas de frio tão abrangentes espacialmente no Brasil, como esta de 1955 e que talvez somente a onda polar de julho de 1975 a tenha superado.

O segundo aspecto, a extensão territorial afetada pelas geadas, também mostra quão excepcional foi a onda de frio. Estima-se que o fenômeno tenha ocorrido em até 90% da área total da Região Sul; chegou a gear na maior parte do litoral gaúcho - para não dizer todo - e também em boa parte do litoral catarinense e em algumas regiões do litoral paranaense.

Quanto ao terceiro aspecto, o que se refere à extensão, intensidade e duração das nevadas, pode-se dizer que este foi bem anormal, ou pelo menos, bastante raro. Nevou nos três estados sulinos em grande quantidade, acumulando no solo até 70 cm de neve na serra catarinense, segundo alguns dados indicam. Além disso, no alto da Serra Gaúcha, o fenômeno ocorreu durante 4 dias consecutivos, sendo a nevada mais duradoura já registrada na região até hoje.

E por fim, a extensão também foi maior que a habitual, tendo sido registrado o fenômeno em áreas de baixa altitude do Rio Grande do Sul e numa expressiva parte do Paraná.

Já o quarto aspecto - a questão das TEMPERATURAS MÁXIMAS - foi singular nesta onda de frio. Foram registradas máximas muito baixas em toda a Região Sul e parte do Sudeste; principalmente no auge do evento. Pode-se citar como exemplo o caso de São Joaquim (SC), que registrou MÁXIMAS ABAIXO DE 0ºC durante 3 dias seguidos.

O quinto e último aspecto refere-se às TEMPERATURAS MÍNIMAS, que também foram excepcionalmente baixas no dia mais frio. Inclusive, a onda de 55 cravou o recorde histórico de frio do Rio Grande do Sul e o da cidade de São Paulo, além de ter feito tiritar centenas de cidades brasileiras.

E além destes 5 aspectos, há ainda um fato muito relevante: quando se analisa o fator ABRANGÊNCIA ESPACIAL, em conjunto com o fator INTENSIDADE DA QUEDA DE TEMPERATURA, nota-se que NENHUMA OUTRA ONDA DE FRIO NOS REGISTROS CONSEGUIU DERRUBAR COM TANTA FORÇA A TEMPERATURA NUMA ÁREA TÃO GRANDE, AO MESMO TEMPO. Por exemplo: Em J0ulho de 1918, registrou-se a onda de frio mais intensa do século XX no Sul do Brasil, mas na mesma ocasião o Centro-Oeste não sofreu temperaturas tão baixas; em Cuiabá a mínima foi de 9,9ºC.Em outra onda, no mês de junho de 1925, as temperaturas caíram muito no Sudeste, Centro - Oeste e na maior parte da Região Sul, porém a mínima absoluta no Rio Grande do Sul e no litoral catarinense não foi tão baixa.

Da mesma forma, em julho de 1933, apesar do frio ter sido intenso, as mínimas foram relativamente altas em todo o litoral do Sul e em parte do Sudeste.

Já no caso da onda polar de 55 , a história foi outra: foram registradas temperaturas excepcionalmnte baixas em todo o Centro - Sul e parte da Amazônia, de maneira simultânea; até mesmo na faixa litorânea do Sul e do Sudeste.

E após uma comparação cuidadosa com os registros de outras grandes ondas polares que também marcaram época no país, pode-se afirmar com segurança que AO SE CONSIDERAR O TERRITÓRIO BRASILEIRO COMO UM TODO, A ONDA POLAR DE 1955 FOI A MAIS FORTE E POR ISSO A MAIS IMPORTANTE JÁ REGISTRADA OFICIALMENTE NO BRASIL.

Tais fatos demonstram a razão pela qual a onda de frio de 1955 merece o título de super.

O EVENTO DE 55 EM SI:

Obs: Todos os dados de temperatura divulgados abaixo são do INMET.

Terça - feira , 26 de julho de 1955:

No sul do Chile e sudoeste da Argentina configura-se uma invasão polar de trajetória continental, ao mesmo tempo que grande parte do Brasil encontra-se sob um forte veranico.

Quarta - feira , 27 de julho de 1955:

A massa de ar polar de grande intensidade que estava no sul do continente avança para o norte e chega ao Rio Grande do Sul.Durante o dia a temperatura despenca no estado e os registros do INMET revelam que NEVA a partir da tarde em Bom Jesus.Enquanto isso, o estado de São Paulo vive o começo da situação pré-frontal, com bastante vento.

Quinta - feira , 28 de julho de 1955:

A massa polar, apesar da grande intensidade, enfrenta muita resistência e por isso avança lentamente pelo Brasil. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina faz muito frio, além de nevar. Em Bom Jesus (RS), neva forte durante a tarde e a noite.
No Paraná, a temperatura só cai mesmo a partir do meio da tarde e no estado de São Paulo a pré-frontal continua com força. No interior, a massa polar avança em direção à Amazônia.

Na Argentina, a massa de ar irrompe com força total para o Brasil.

Sexta - feira , 29 de julho de 1955:

O bloqueio perde força, mas o ar polar ainda avança devagar através do Brasil. No Centro-Oeste, a onda de frio chega a Cuiabá e tem início uma forte friagem. Em São Paulo, o tempo muda à tarde com a chegada da frente fria e as temperaturas despencam.

Neva muito nas Serras Gaúcha e Catarinense. Em Bom Jesus (RS), consta nos registros intensa queda de neve durante as 24 horas do dia.

Em São Joaquim (SC), além da nevasca, a temperatura máxima foi negativa, tendo ficado na casa dos -1ºC.

Em Joaçaba, no interior catarinense, nevou a tal ponto que houve interrupção no tráfego de algumas ruas; a precipitação também durou o dia inteiro.

E até o fim do dia, a neve chegaria ao Paraná.

Na cidade de Porto Alegre (RS), a máxima foi de apenas 8,5ºC , uma das menores registradas até hoje.

Sábado, 30 de julho de 1955:

A onda de frio atua com fortíssima intensidade no Sul, em parte do Sudeste, na maior parte do Centro-Oeste e ainda em parte da Amazônia.

O dia amanhece gelado desde o Rio Grande do Sul até o Amazonas

Em Cuiabá a mínima chega a 4,3ºC e na cidade de Lages (SC), à casa dos -5ºC.

Neste dia, ainda neva nas Serras Gaúcha e Catarinense - já com menor intensidade - e intensamente numa vasta região do Paraná.Neste último estado, a cidade de Palmas recebeu de 30 a 50 cm de neve , quantidade esta pouco freqüente.

Neva também nas cidades paranaenses de Clevelândia , Francisco Beltrão, Santo Antônio, União da Vitória, Inácio Martins, Guarapuava, Cascavel e Pato Branco - além de outras - sendo que na última o fenômeno ocorreu com forte intensidade.

Também em Curitiba parece ter ocorrido o fenômeno. Jornais locais da época afirmam que caíram flocos de neve nos bairros do Bacacheri, Boqueirão e na região do Afonso Pena. Tal fato é perfeitamente plausível, já que segundo os mesmos jornais, a temperatura variou entre -2ºC e 3ºC na cidade naquele dia.

Também foi divulgado pela imprensa - inclusive em jornais de grande circulação - a queda de neve em Porto Alegre (RS). Todavia, tal ocorrência não é confirmada pelo INMET.

Outro fato digno de nota refere-se à máxima mais baixa registrada em São Joaquim (SC): apenas -2,0ºC. Só em 2 outras ocasiões oficialmente registradas houve máxima tão baixa - em julho de 2000, com -2,0ºC e em julho de 1993, com -2,4ºC.

Ao mesmo tempo que tudo isso ocorre no Sul, a massa polar avança mais e chega a Manaus (AM). Ao longo do dia o tempo abre em toda a Região Sul.

Domingo, 31 de julho de 1955:

A onda de frio atua no auge de sua força em todo o Centro-Sul e numa boa parte da Amazônia.

Na Região Sul, o céu limpo na madrugada favorece a queda da temperatura e a formação de fortes geadas. A FRIAGEM também atua com força total na Amazônia. Veja algumas mínimas registradas no Brasil naquele dia:

Guarapuava (PR): -8,4ºC.
São Joaquim (SC): -8,1ºC.
Ivaí (PR): -6,0ºC.
Curitiba (PR): -5,0C.
Aquidauana (MS): -0,9ºC.
Paranaguá (PR): 2,3ºC.
Laguna (SC): 2,4ºC.
Florianópolis (SC): 4,0ºC.
Cruzeiro do Sul (AC): 10,2C.
Manaus (AM): 18,5C.

Naquela manhã , as geadas devastaram as lavouras do Paraná.

Em São Paulo , geou apenas na cidade de Catanduvas, que registrou mínima de -1ºC. No leste do estado , o céu ficou limpo a partir da tarde e as temperaturas despencaram a noite.

No Amazonas, a onda polar ultrapassou a linha do Equador.

Obs: A temperatura máxima em São Joaquim(SC) foi apenas -1,2C.

Segunda, 01 de agosto de 1955 :

Durante a madrugada , o frio atingiu seu auge e o amanhecer foi frígido no Centro - Sul. Eis algumas mínimas:

Bom Jesus (RS): -9,8C. Recorde de frio histórico do estado.
Alegrete(RS): -3,0C.
Bagé(RS): -2,0C.
Iraí(RS): -4,3C.
Passo Fundo(RS): -2,5C.
Pelotas(RS): -3,4C.
Porto Alegre(RS): -1,2C.
São Luiz Gonzaga(RS): -1,2C.
Santa Maria(RS): -2,0C.
São Joaquim(SC): -6,4C.
Urussanga(SC): -4,6C.
Camboriú(SC): -1,2C.
Castro(PR): -7,5C.
Rio Negro(PR): -7,2C.
Ivaí(PR): -6,1C.
Jaguariaíva(PR): -2,7C.
Paranaguá(PR): 3,8C.
Avaré(SP): 0,3C.
São Paulo(Sp): 1,5C no Mirante de Santana e 0,7C no horto florestal.
Cuiabá(MT): 9,0C.
Alto Tapajós(PA): 11,1C.
Uaupés(AM): 18,1C.
Manaus(AM): 19,0C.
Iauaretê(AM): 16,5C. Obs: Iauaretê está localizada em 00 º18′ S.
Cruzeiro do Sul (AC): 9,6C.
Aquidauana(MS): -2,2C.
Corumbá(MS): 3,3C.

Obs:como se pode ver , a onda polar alcançou a linha do Equador.

As geadas foram muito intensas em toda a Região Sul e atingiram também boa parte de São Paulo.

Houve geadas nas cidades paulistas de Catanduvas, Limeira , Avaré, Itú, Monte Alegre do Sul , Tatuí e Presidente Prudente. Nesta última a mínima ficou na casa dos -1ºC.

Neste dia , a onda de frio começou a enfraquecer , mas ainda manteve as temperaturas baixas / amenas ao longo do dia.

Terça - feira , 02 de agosto de 1955:

A onda de frio perde força rapidamente, mas o dia foi marcado por frio intenso pela manhã , principalmente em São Paulo.Mínimas:

Camboriú(SC): -1,2C.
São Paulo(SP): -2,1C.
Santos(SP): 4,3C.
Iguape(SP): 3,2C.
Angra dos Reis(RJ): 9,9C.
Itajubá(MG): 1,2C.
Barcelos(AM): 18,3C.

No dia 03 ainda foram registradas mínimas negativas no Sul do país , mas no dia 04 o ar frio já se dissipava totalmente.

Mesmo assim, Teresópolis registrou 1,2C apenas.

Foi o fim da super onda polar do inverno de 1955.

FONTE: ABAIXO DE ZERO

7 comentários:

Maurício da Silva Junior disse...

uouuuuuuuuuuuu...
fiquei de cara meu!!!
muito bom!!!

andressa disse...

preciso sempre de estudar e as coisas ficam deficeis queria que mudasse isso e que fique mais facil!

andressa disse...

oi

AHN? disse...

CARAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAMBA!

Perto dessa incrível onda, a "ondinha" de frio (04/06/09) que fez o Aeroporto Afonso pena registrar -3°C de manhã não é nada perto dessa. Ela encolhe!

Só imagino eu, em 1955, tendo que acordar, digamos, às seis da manhã, se eu já sofri para me levantar da cama hoje.

São José dos Pinhais, PR - 04/06/09

Mirna disse...

As mudanças climáticas me afetam. Eu agarro angina ou gripes, resfriados. Sempre que eu tenho que chamar os médicos de amil, eles vem à minha casa.

Orlando Bottini disse...

Meu pai era de 34 ele falava mesmo que foi no parana colher cafe em arapongas

Orlando Bottini disse...

Meu pai era de 34 ele falava mesmo que foi no parana colher cafe em arapongas