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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

APÓS SEMANAS TÓRRIDAS, FRENTE FRIA ADENTROU O ESTADO CATARINENSE

Sem sombras de dúvidas Santa Catarina teve uma sequência de dias quentes demais entre o fim de dezembro de 2013 e início de janeiro de 2014, que vão ficar na memória dos catarinenses, em especial o centro-leste. Por falar em sombra, até nela a sensação era super desconfortável. Houve dias e dias com temperaturas máximas que ultrapassavam facilmente os 34ºC e em alguns lugares até os 40ºC, com sensação térmica ainda mais alta por conta da umidade. O alívio chegou somente no terceiro dia de 2014. Essa postagem irá abordar isso tudo e muito mais.

O estado catarinense, como dito na introdução acima, sofreu dias desconfortáveis de calor, onde as temperaturas atingiram marcas acima dos 34ºC e até ultrapassaram os 40ºC nos locais mais quentes. Em  Blumenau e Joinville, por exemplo, as temperaturas máximas alcançaram 39,2ºC (dia 02) e 42ºC ( dia 31 na estação do aeroporto), respectivamente. Blumenau já havia registrado 40,9ºC no dia 26, 41,2ºC (a mais alta em dezembro em 60 anos) no dia 27 e também 39,5ºC no último dia do ano de 2013. Ainda no Vale do Itajaí, Indaial obteve valor máximo de temperatura de 38,7ºC no dia 26 e 38,9ºC no dia 27. Em Lontras, chegou a 38,8ºC no dia 26. Em Jaraguá do Sul, a máxima alcançou os 37,7ºC no dia 27.

Na Grande Florianópolis, o município de São José teve sua maior temperatura de 2013 e dessa onda de calor intenso, com registro de 36,7ºC no dia 31. No Oeste, Itapiranga registrou máxima de 39,3ºC no dia 28 e 36,8ºC no natal. No Litoral Sul, a mais quente foi Criciúma, onde no dia 27 foi registrado máxima de 37,7ºC. No Planalto Sul, nem a geladíssima Urupema escapou da onda de calor, tendo acusado máxima de 28ºC no dia 27. Não foi só Urupema não. A estação da Climaterra registrou em São Joaquim 30,9ºC no dia 26. A do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) também em São Joaquim, obteve 29ºC.

Confira mais detalhes na tabela abaixo, onde cada coluna representa um dia, desde 26/12/2013 até 02/01/2014.

Cidade/Dia2627282930310102
Joinville (REDEMET)39,037,035,031,040,042,036,041,0
Blumenau (FURB)40,941,2SDSD37,539,535,239,2
Indaial (INMET)38,738,828,034,335,736,731,836,1
Ituporanga (INMET)36,437,524,731,331,430,727,231,4
São José (INMET)32,934,131,533,032,336,730,932,2
Urussanga (INMET)35,537,232,537,233,731,632,533,9
Itajaí (INMET)35,034,931,634,634,237,633,533,4

Nas figuras abaixo, vemos as anomalias de temperatura máxima em dezembro/2013 e em janeiro/2014 até o dia 03. Veja que as cores avermelhadas dominam muitas áreas do estado, o que representa anomalia positiva, ou seja, fez mais calor que o normal. Em algumas áreas, fez até 4ºC a mais que a média climatológica para esses períodos em questão.


Outro fator determinante nesse calor e que fez as pessoas sentirem o desconforto, era a chamada sensação térmica, que é a temperatura sentida na pele e está relacionada a temperatura real e a umidade relativa, ambos medidos no mesmo instante. Isso acontece porque quando suamos, o suor evapora e resfria o ar em volta de nossa pele. Porém, quando a umidade está muito alta (muito vapor d'água na atmosfera ao redor de nós), o suor não consegue evaporar e ai sentimos mais calor do que já está. Em Joinville, por exemplo, chegou-se a ter sensação térmica de 49,2ºC na tarde do dia 31! No mesmo dia, São José tinha temperatura normal de 34ºC, mas com sensação térmica de 46,1ºC. No geral, a sensação térmica nas regiões mais quentes de SC ficou entre 45ºC e 50ºC, o que é extremamente insuportável.

Se havia ar quente e úmido, as condições para as famosas chuvas de verão vieram a tona. Mas como elas ocorrem muito isoladamente, muitas pessoas sequer presenciaram. Um dessas tempestades provocou um lindo expetáculo no céu de Florianópolis, com várias descargas elétricas atmosféricas. Veja:

Raios em Florianópolis em 30/12/2013
Algumas nuvem de tempestade, chamadas de Cumulonimbus, eram tão isoladas que de longe podiamos ver a atuação delas. Em Florianópolis, elas se dissipavam rapidamente no fim da Serra do Tabuleiro. A foto abaixo mostra bem isso, com a bigorna (topo da Cumulonimbus disperso devido ao vento e a divergência do ar que sobe) acima da capital, mas a chuva na região de Santo Amaro da Imperatriz.

Cumulonimbus "morrendo" no fim da Serra do Tabuleiro em  02/01/2014
Como a umidade era alta, as noites também eram muito quentes, pois o vapor d'água dificulta a perda de calor que se acumulou durante o dia. Diferente do outono onde esquenta de dia e resfria de noite, durante essa onda de calor houve noites em que tínhamos temperaturas acima dos 25ºC na madrugada. Isso piorou com aproximação da frente fria, o que é comum, o chamado aquecimento pré frontal. Para se ter uma ideia, a temperatura a meia-noite de sexta-feira era de 30ºC em Florianópolis. Durante a madrugada de sexta, a temperatura não baixou dos 27,2ºC.

Falando na frente fria, foi ela que acabou dando fim na onda de calor intenso que assolou o estado catarinense. O sistema frontal alcançou o estado na sexta-feira, tendo associado um cavado (área alongada de baixa pressão) no continente. A carta sinótica abaixo, exclusiva aqui do blog Paulo Tempo, mostra bem essa situação.


Na imagem de satélite, fortes núcleos de tempestade se formaram, com nuvens que tinha temperaturas de tipo de até -90ºC, sobretudo no leste catarinense. A imagem do satélite GOES-13 no canal realçado, mostra claramente essa condição, com destaque para a desconfiguração da frente fria sobre o oceano.

Na entrada do sistema, houve a formação de áreas com chuva e descargas elétricas e alguns temporais isolados, até com queda de granizo. Como em Criciúma, Guaramirim e Rio Negrinho, nas fotos abaixo. 

Temporal se aproximando de Criciúma-SC - Foto de Nei Manique
Nuvem Cumulonimbus se aproximando de Guaramirim-SC
Temporal se aproximando de Rio Negrinho-SC - Foto de Nicole Alexandra
Como essa frente fria diminuiu a velocidade de deslocamento ao passar pelo leste do estado, continuou o tempo instável no sábado e parte do domingo. De acordo com as estações meteorológicas do CIRAM e INMET, os maiores valores de chuva durante a passagem da frente fria, foram de 91,8mm em Schroeder, 79,2mm em Blumenau, 77mm em Timbó, 73,4mm em Santo Amaro da Imperatriz, 56,6mm em Alfredo Wagner e São João Batista, 56,2mm em Luiz Alves, 54,6mm em Mondai, 44,8mm em Bocaina do Sul, 42,4mm em Palhoça, 40,4mm em Ponte Alta e 29,8mm em Ermo.

A entrada do ar mais frio, acompanhado do vento de sul, fez as temperaturas baixarem bastante em relação ao que estava. Em Urussanga, por exemplo, a temperatura durante a manhã de sexta-feira (03) era de 26,6ºC, mas caiu para 20,5ºC durante a noite. Em Indaial, no Vale, a máxima que havia chegado a 34,4ºC na tarde de sexta-feira caiu para 22,5ºC a noite. Em São José, a máxima havia sido de 33,5ºC no fim da manhã de sexta, caiu para 23,1ºC.

DADOS: INMET, CPTEC/INPE, REDEMET, CEOPS/FURB, CLIMATERRA, EPAGRI-CIRAM.

2 comentários:

Claudio Ferreira Raio disse...

Claudio Raio. São José do Barreiro SP

Pois é, mas acho que aqui pro SE esse veranico está longe de terminar...

Jorge Ramiro disse...

Tenha cuidado com as tempestades. No outro dia eu estava andando na rua e uma tempestade veio. Fiquei em um restaurante mexicano sp, até a chuva parou.